Como escolher quem deve ser multiplicador interno (e por que só técnica não basta)

Quando falamos em formar multiplicadores internos, a primeira reação de muitas empresas é escolher “quem sabe mais”. Em geral, o nome que aparece é o do profissional mais técnico da área.

Mas, na prática, ser excelente na execução não significa ser excelente em ensinar.

É assim que muitos programas de multiplicadores começam com o pé esquerdo: selecionando pessoas apenas pelo critério técnico, sem olhar para competências essenciais de comunicação, postura e relação com o time. O resultado é frustração dos dois lados – de quem tenta ensinar e de quem está aprendendo.

Neste artigo, vamos falar sobre como escolher multiplicadores de forma estratégica e por que essa decisão impacta diretamente o retorno do seu investimento em formação.

 

1. O erro de escolher “quem sobrou” ou “quem sabe mais”

Quando a empresa não tem um critério pensado, a escolha do multiplicador costuma seguir dois caminhos ruins:

  • é indicada a pessoa que “sobrou” na agenda;
  • ou o profissional mais técnico, sem avaliar se ele tem perfil para ensinar.

No primeiro caso, o multiplicador entra no projeto com o sentimento de sobrecarga e resistência. No segundo, o risco é colocar alguém brilhante tecnicamente em uma posição em que ele se sente exposto, inseguro e, muitas vezes, frustrado.

Esse tipo de decisão enfraquece a ideia de multiplicador. Em vez de ser visto como um papel valorizado, vira um “abacaxi” que ninguém quer assumir.

Escolher bem quem vai multiplicar o conhecimento não é detalhe. É ponto de partida.

2. Competência técnica é requisito, não diferencial

É claro que o multiplicador precisa dominar o conteúdo que vai ensinar. A equipe precisa confiar que ele sabe do que está falando.

Mas a técnica, nesse contexto, é requisito mínimo. O diferencial está em outras capacidades que raramente entram na conversa quando o assunto é seleção de multiplicadores:

  • clareza para explicar;
  • paciência para lidar com ritmos diferentes de aprendizagem;
  • abertura para ouvir dúvidas sem constranger o outro;
  • credibilidade construída no dia a dia com o time.

Em outras palavras: você não quer apenas alguém que “sabe muito”. Você quer alguém que saiba transformar o que sabe em algo acessível para os outros.

3. O que observar ao escolher multiplicadores

Alguns critérios ajudam a identificar bons candidatos a multiplicadores internos:

  1. Capacidade de comunicação:
    A pessoa consegue organizar o raciocínio, explicar de forma lógica, dar exemplos concretos? Não precisa ser um grande orador, mas precisa conseguir se fazer entender.
  2. Postura com o time:
    É alguém que inspira confiança? A equipe sente abertura para perguntar, discordar, trazer problemas reais? Se o multiplicador é visto como alguém que julga ou constrange, as pessoas se fecham.
  3. Disponibilidade para aprender a ensinar:
    O melhor multiplicador não é quem “já sabe dar aula”, mas quem está disposto a aprender método, ouvir feedback e ajustar a forma de conduzir os encontros.
  4. Alinhamento com a cultura e com a liderança:
    Esse profissional representa os valores que a empresa quer fortalecer? Ele é coerente entre discurso e prática? Multiplicador incoerente descredibiliza o próprio conteúdo que ensina.

Quando a liderança olha para esses critérios, a conversa sobre “quem vai multiplicar” muda de patamar.

4. O papel da liderança na escolha

Escolher multiplicadores não é tarefa para ser delegada apenas ao RH.

Os líderes diretos têm um papel central nesse processo, porque convivem com a equipe, conhecem o histórico, as relações, as forças e as fragilidades de cada pessoa.

É responsabilidade da liderança:

  • indicar nomes com cuidado, e não “empurrar” quem tem tempo sobrando;
  • conversar abertamente com os selecionados sobre o que significa ser multiplicador;
  • dar suporte de agenda e priorização de tarefas, para que a pessoa consiga exercer o papel sem se sentir sufocada.

Quando o líder apenas comunica que alguém “foi escolhido” e não participa da construção dessa função, a chance de o processo ser visto como sobrecarga é enorme.

5. Benefícios de escolher bem (para a empresa e para o profissional)

Quando a empresa escolhe multiplicadores com critério, todo mundo ganha.

A empresa ganha porque:

  • o treinamento interno passa a ter mais qualidade e consistência;
  • a equipe percebe valor nos encontros e se engaja mais;
  • o retorno sobre o investimento em formação aumenta.

O profissional ganha porque:

  • passa a ocupar um lugar de referência técnica e de desenvolvimento de pessoas;
  • desenvolve competências de comunicação, facilitação e liderança;
  • amplia sua visibilidade para oportunidades futuras dentro da organização.

Multiplicador não é só “quem ensina o procedimento”. É alguém que se torna ponto de apoio para o crescimento da equipe.

Conclusão

Formar multiplicadores internos é uma decisão estratégica. Mas ela só entrega todo o potencial quando começa pela escolha certa de quem vai ocupar esse papel.

Competência técnica é fundamental, mas não basta. É preciso olhar para comunicação, postura, relação com o time e disponibilidade para aprender a ensinar.

Escolher multiplicadores com critério é o primeiro passo para transformar treinamento interno em vantagem competitiva – e não em agenda obrigatória sem resultado.

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